Um verão
A primavera vai chegando ao fim e em uma cidadezinha muito pequena, o clima de calmaria e férias se põe em todos. Lá não havia mais do que mil habitantes e por conseqüência, não havia grandes prédios ou centros comerciais, apenas uma longa pracinha central, onde se concentrava a maior parte da população, e um pouco mais de dez fazendas, que abasteciam a cidade e era de onde saiam os maiores lucros para sustentar as famílias. Não era uma cidade rica nem pobre, porém havia muita amizade, compreensão e respeito entre todos.
Um dos jovens daquela cidade não viajou, diferentemente do que acontecera com alguns de seus amigos e os que ficaram não podiam sair com ele, pois tinham seus afazeres em casa ajudando os pais. Logo que chega a terceira semana de férias, ele não agüenta mais por não ter com quem fazer qualquer coisa. Já estava insuportável ficar sentado nos jardins da praça ou ir até a antiga ponte de acesso ver as montanhas e nadar no poço sozinho, assim como já não tinha mais graça nenhuma esperar pelo anoitecer deitado nos campos de plantação do maior fazendeiro da cidade.
Enfim, chega o último dia da primavera, estação dita dos afloramentos hormonais de toda pessoa, mas, nem que quisesse, o garoto podia pôr em prova seus hormônios e sentimentos. Afinal, estava sozinho desde o fim das aulas. Nesse dia, o menino andava desanimado pela praça e estava pensando justamente que naquele ano as férias já tinham acabado, que não haveria nada que pudesse ser capaz de melhorar seus dias entediantes. Até que uma agitação incomum chama sua atenção. Ele corre para conferir e descobre por lá um carro nunca antes visto na cidade e um caminhão, que parecia ser daqueles de mudança. Eles estavam procurando algo e pararam um pouco mais adiante, numa casa que estava à venda já há algum tempo.
De fato eram novos moradores que estavam chegando à cidade e foi naquele casal, que aparentava uns quarenta e cinco anos, e naqueles móveis que o garoto depositou suas últimas esperanças de umas férias um pouco mais divertidas. Porém, lá pela hora do almoço, o grande ritual de transferência de móveis do caminhão para a casa já havia terminado e em momento nenhum ele conseguiu ver algum jovem saindo do carro ou do caminhão, não viu ninguém da sua idade com quem pudesse fazer amizade.
Entre todos os curiosos que apareceram para acompanhar o alvoroço, o garoto foi o único que ficou lá até o fim para conferir o caminhão ir embora e o tal casal entrar em casa para começar a ajeitar as coisas. Depois de tudo, ele concluiu que definitivamente não havia mais ninguém com eles e isso foi o suficiente para ele voltar para casa e passar o resto do dia deitado no sofá ouvindo música e esperando para ver o pôr-do-sol pela janela. Só que ele estava irrequieto, não se conformava com o fato deles não terem um filho, e após o jantar, não se conteve e saiu de casa em direção aos novos vizinhos. Não sabia nem o que iria falar, mas foi assim mesmo, no impulso.
Chegou lá nervoso, sem ter tido tempo de planejar nada do que queria dizer e logo bateu na porta. A mulher, cheia de sorrisos, atende ao menino, que agora também estava sem jeito, mas mesmo assim começa a falar. Eles se cumprimentam, se apresentam e ele diz que foi dar as boas vindas, invenção de última hora que acabou rendendo uma boa conversa. No fim, eles já iam se despedindo quando ele lembrou o verdadeiro motivo de estar ali, então ele não deixou passar a primeira oportunidade que teve e perguntou se eles tinham um filho. Ela, sorridente como sempre, respondeu que sim, que tinham uma filha e que era da idade dele, mas que só chegaria no dia seguinte, pois estava resolvendo as últimas coisas onde eles moravam antes. Conversaram mais um pouquinho, ele se ofereceu para ajudar na arrumação das coisas, apontou em qual casa podia ser achado e enfim se despediu.
A reação repentina que o garoto teve acabou dando certo e para melhorar, ele acabou descobrindo que finalmente ia ter com quem passar o fim das férias. Agora sim, pelo menos o verão estava salvo, porém não seria um garoto seu companheiro e sim uma menina. Tudo bem que já estava na puberdade, mas até então ele nunca tinha tido grandes amigas, essa era só mais uma novidade naquele fim de ano completamente atípico e tudo seria bem diferente do que ele imaginara...
O primeiro dia do verão começa sem nenhuma grande diferença, o garoto acorda um pouco mais tarde do que o de costume e pela manhã mesmo resolve sair de casa para caminhar um pouco e sentir a brisa calma da manhã. Ele andava a esmo pela praça, ia chutando pedrinhas e tentando levá-las consigo o mais longe que pudesse, de quando em quando achava algo que podia servir de gol, mirava lá, chutava e comemorava sozinho, como se fosse um artilheiro. Depois ele parou e se sentou em um banco qualquer ficou observando os passarinhos e borboletas, que pareciam estar brincando de pique no ar. Enfim, o menino ia se distraindo com qualquer coisa que achasse, até que a mais nova moradora da região, que ia passando carregada de bolsas, o avista e decide parar para descansar e conversar um pouquinho. Ela eufórica conta que já aprendeu onde fica o mercadinho, a farmácia, isso e aquilo. Depois de muito falar, ela levanta e diz que vai voltar para casa, afinal ainda tinha muito o que arrumar, dá dois passos e pára novamente, olha para trás e convida o menino para ir junto, pois sua filha já havia chegado. Ele tentou rejeitar o convite, pois estava sem jeito e não sabia muito bem o que fazer lá, mas depois de muita insistência, acabou cedendo.
Lá se foram os dois, andaram um pouco mais pela pracinha e logo chegaram, entraram e foram direto para o quarto da menina. Lá ele se depara com um armário aberto e vazio, um monte de caixas espalhadas e empilhadas pelo chão e a menina sentada em uma cama. Caixas, armário, cama, ele, a mãe e a menina, um ótimo cenário pro garoto ficar travado e não saber o que fazer. Para melhorar, a mãe resolve sair e ir ajeitar suas coisas, sem nem imaginar que acabara de colocar dois jovens em uma situação para lá de inusitada e embaraçosa.
Durante um bom tempo não se ouviu nada no quarto, os dois estavam completamente sem reações. Enquanto a menina fingia estar mexendo em alguma coisa nas caixas, o menino olhava mais uma vez cada canto do quarto, como se estivesse acabado de chegar ali. Até que ela toma a iniciativa, diz seu nome e confirma o dele, afinal sua mãe já tinha falado nele a manhã inteira. O garoto, confuso e curioso, responde e junto a isso dispara a falar e perguntar um monte de coisas como sobre o que a mãe dela havia falado. De repente ele pára e pede desculpa por ter se atropelado em tantas palavras. Eles riem da situação e ela se levanta estendendo a mão e esperando um cumprimento, que é devidamente retribuído. A garota se vira para o monte de caixas e em tom de lamentação diz que levará as férias inteiras para terminar de arrumar, ele se dispõe a ajudar e afirma que se eles cumprissem uma meta de tantas caixas por dia, logo terminariam. Ela se surpreende com a determinação, porém, é claro, aceita e propõe que começassem logo, pois já estavam ali mesmo, devidamente apresentados e bem mais desinibidos.
E foi assim que as coisas aconteceram. Sentados na cama da menina e arrumando tudo que tinha pelas caixas, foram conversando, se conhecendo, ficando cada vez mais íntimos e rindo um das histórias fantásticas do outro e logo já pareciam amigos de longa data. Rapidamente completaram a meta de caixas por dia, mas se esqueceram de tudo à volta deles e ficaram ali o restante do dia conversando. Não sentiram falta de um almoço ou um lanche e nem perceberam que de tempo em tempo a mãe da garota parava na porta para dar uma espiadinha no que eles estavam fazendo, tampouco notaram que ela sempre saía sorridente e cantarolante. A conversa não acabava e àquela altura, nenhum dos dois queria um fim para aquela tarde, porém a noite chegou e ela se deitou no colo dele para observar o céu maravilhoso da cidade, ao qual ele se referira em um dos muitos assuntos que tinham sido abordados naquele dia. O papo foi se estendendo até que ela adormeceu ali mesmo, mas o menino continuou fazendo carinho nos cabelos dela por um tempo ainda, não queria sair dali, porém caiu em si e viu que já era tarde da noite. Com todo o cuidado que podia ter, tirou-a de seu colo e a botou delicadamente numa posição confortável e a cobriu, depois fazendo o maior silêncio possível, pegou as caixas vazias e empilhou em um canto vago do quarto. Fechou a janela, apagou a luz e encostou a porta. Já ia saindo da casa pé-ante-pé, quando a mãe apareceu e, sussurrando, agradeceu por tudo que ele tinha feito naquele dia e deu boa noite a ele piscando o olho. O menino até que tentou responder alguma coisa, mas sentiu que não precisava dizer mais nada, então retribuiu com um sorriso e foi embora para casa calmamente.
Os dias seguintes foram todos muito parecidos, a diferença é que, ao contrário do primeiro dia, eles comeram, afinal foram lembrados de que existia um mundo inteiro fora do quarto da garota. Até que no quinto dia, dia de Natal, o menino conversa com sua mãe e pede para que na ceia as duas famílias ficassem juntas. Ela concorda. O menino sai em disparada para a casa dos novos vizinhos e faz o convite, que é muito bem recebido por todos. Depois ele vai até o quarto da menina para terminar a arrumação, já que faltavam poucas caixas. Mais um dia inteiro de conversas e de noite todos se arrumaram para o jantar, nada extravagante, mas delicioso como só a mãe do menino sabia fazer. Muitas conversas entre todos das duas famílias, que estavam cada vez mais próximas e amigas. Os pais da menina decidiram ir embora, mas a menina pediu para ficar só mais um pouco e ficou. Depois, na hora dela ir embora também, o menino se dispôs a levá-la até a porta de casa.
Os dois foram caminhando até a casa dela bem devagarzinho, conversando e contemplando o céu, que naquela noite estava particularmente mais bonito do que o de costume. Chegando na porta da casa dela, ele contou que estava muito feliz por ela e a família terem se mudado, pois foi por isso que eles se conheceram e por ter encontrado nela uma companhia muito boa para passar as férias. Ela, encabulada, disse que não havia o que agradecer e que também estava encantada com a receptividade que encontrou nele. Eles sorriram e ele decidiu fazer um convite, chamando-a para ir com ele no dia seguinte até a ponte da cidade e ela, é claro, aceitou. Combinaram hora, o que tinham que levar e tudo mais. Na hora de se despedir, ela foi dar um beijo no rosto dele, que se virou porque estava com os sentimentos à flor da pele e achou que aquele momento merecia algo mais, porém ela recuou assustada e disse que não queria aquilo, pois estava há poucos dias na cidade e achava muito cedo para tomar qualquer atitude relacionada a esse tipo de sentimento. Disse também que esperava não o ter magoado e que o programa do dia seguinte ainda estava de pé. Abriu um sorriso, deu boa noite e entrou.
O garoto ficou estático por um tempinho, tentando entender o que acabara de acontecer e o que o levou a fazer aquilo. Não conseguiu achar resposta nenhuma, só conseguia pensar que aquele era o pior presente de Natal que podia ter recebido, ter estragado a amizade de que ele tanto gostava e que tinha salvo seu verão. Depois do choque, ele só tinha a alternativa de ir para casa. Chegou lá e foi direto pro quarto, onde se trancou e passou a noite inteira se culpando. O menino só conseguiu dormir pela manhã e, com isso, só acordou a noite, quando saiu do quarto apenas para comer.
Os últimos seis dias do ano pro garoto foram assim, trancados no quarto, ouvindo suas músicas, comendo pouco e evitando falar com todos, inclusive com a menina que chegou a procurá-lo algumas vezes. Apenas no dia da virada do ano é que a mãe dele conseguiu convencê-lo de sair para ir à tradicional festa que os moradores faziam na praça. Porém ele só saiu poucas horas antes da meia noite porque queria evitar a agitação.
Durante a festa, a alegria contagiante tomava conta de todos, menos do garoto, que insistia em ficar emburrado, sentado e de braços cruzados. Ele chegou a ver a menina, que parecia ansiosa como se procurasse algo ou alguém, mas fez questão de se esconder rapidamente. Só a poucos minutos da contagem para virada é que o menino decidiu se levantar para compartilhar o momento com seus pais, porém não queria ceder e se soltar mais do que aquilo. Até que no último minuto do ano, prestes a começar a contagem final, ele é surpreendido pela menina, que o abraça de repente.
Mais uma vez estavam os dois juntos e pela primeira vez abraçados. Durante a contagem regressiva, ela em prantos e escondendo a cabeça no abraço dele pede desculpas e ele com a voz rouca e segurando o choro diz que não havia o que desculpar e que era para ela se acalmar. O ano virou, as pessoas em volta gritavam, comemoravam e pulavam. Eles assistiram a um pouco da festa e dos fogos, mas decidiram ir para um lugar mais calmo, porém continuavam abraçados. A festa terminou e todos foram embora para suas casas descansar, mas eles continuavam juntos, mudos, mas cientes de que não queriam estar em outro lugar ou fazer outra coisa naquele momento.
Passou um tempinho e o menino, que estava ansioso por não saber o que fazer, toma uma iniciativa e diz que eles tinham que ir cada um pras suas casas, assim como todos os outros da cidade já tinham feito. Eles caminham ainda abraçados até a casa da menina, que quando chega lá, pede desculpa mais uma vez pelo que tinha feito há seis dias atrás e diz que não esperava aquela reação dele e que ficou sozinha e assustada durante esse tempo, pois não conhecia mais ninguém na cidade. Ele aceita as desculpas e também tenta se desculpar dizendo que se precipitou e, tentando ser o mais sincero que conseguia ser, disse que nem ele sabia o porquê de ter agido daquela forma. A menina acredita e abre um enorme sorriso para ele, que vê nela um brilho especial que nunca tinha visto em ninguém antes.
O silêncio mais uma vez toma conta do lugar, mas esse era agradável, realmente ninguém precisava dizer nada, pois eles pareciam estar se entendendo apenas pelo olhar. De repente, em mais um de seus atos inesperados, o garoto pega a menina no colo e a leva até o quarto. Cuidadosamente a pousa na cama, tira os sapatos dela, a cobre e abre a janela, depois diz para ela que iria ficar ali até que ela adormecesse. Ela, encantada, com o que ele acabara de fazer, diz que, de verdade, não queria magoá-lo, mas continuava realmente achando que era ainda muito cedo para ela pensar em qualquer coisa relacionada aos sentimentos e que queria, pelo menos, o primeiro verão dela na cidade para aproveitar tudo que podia e conhecer os lugares e as pessoas. O menino dá uma risadinha simpática e conta para ela que não estava pensando em nada disso e que era para ela se acalmar, pois já tinha tirado isso da cabeça. Afinal, ele queria muito mais a amizade dela e não podia se arriscar a acabar sozinho de novo durante as férias. Então, aquele silêncio agradável mais uma vez chega e logo a menina começa a dormir.
Quando o garoto já ia saindo de casa, a mãe novamente aparece para, sussurrando, agradecer. Eles sorriem e, de novo, não precisam dizer nada. Então, ele vai para casa e sente que mal começa a dormir, já foi despertado e se assusta quando viu que foi acordado pela menina, que estava com mochila nas costas, máquina fotográfica no pescoço e na mão uma cesta, que parecia estar carregada de coisinhas para comer. Ele, ainda assustado, pergunta o que era aquilo tudo e ela responde que era simples: eram apenas as mesmas coisas que eles tinham combinado de levar há alguns dias atrás pro passeio à ponte e que aquela cesta tinha sido preparada pela própria mãe dele. O menino ganha um pouco mais de consciência das coisas que estão acontecendo à sua volta e quando olha o relógio descobre que havia dormido apenas quatro horas. Por essa razão, ele pede para dormir só mais um pouquinho. Além do mais, eram só oito horas da manhã.
Depois de ter o pedido negado e não ter tido forças para argumentar, o garoto, mesmo cambaleando, vai se arrumar e ajeitar. Ele pega suas coisas, avisa à mãe e sai de casa com a menina. No início, eles nem conversaram muito, pois o menino parecia até estar andando apenas porque tinha alguém controlando seus pés com algum controle remoto, e enquanto isso, a garota ia caminhando sorridente e serelepe. Não levou mais do que quarenta minutos para chegar até a ponte, mas, chegando lá, a menina se encantou com o lugar, que era cercado por pequenas montanhas e mais três picos, que se destacavam pela imponência, deixando apenas uma pequenina brecha que era por onde passava a antiga estrada de acesso da cidade. Embaixo da ponte passava um rio largo e muito limpo, mas em um determinado ponto, as margens se distanciavam e deixavam a correnteza mais calma, formando assim, um grande poço cercado de pedras, mas que não ofereciam perigo algum. Após uma longa sessão de fotos dos dois, eles se sentaram, virados para as três montanhas que se destacavam, e decidiram comer. Comeram e, como de costume, conversaram e riram bastante, até que mais tarde um pouco, o garoto disse que ia nadar no poço e convida a menina, que aceita, mas tentou desistir quando ele disse que havia outras maneiras de entrar no rio, mas que ela tinha que pular da ponte como ele, porém ela foi vencida pelo cansaço. Os dois pularam juntos, de mãos dadas, e por lá ficaram até o fim do entardecer, quando voltaram para cidade e, como também já estava virando costume, o garoto a levou em casa. Chegaram lá e a mãe da menina esperava na porta, com uma cara meio zangada, mas que mudou e ficou alegre assim que viu os dois e juntos. Mesmo feliz em ver os dois de bem novamente, perguntou por onde andaram e em vez de ficar chateada por não ter sido avisada, ficou emburrada por não ter sido convidada, afinal ela achava que também merecia um banho de rio. Os três riram e ficaram papeando um pouco mais, até que se despediram. O abraço dos dois jovens foi particularmente mais demorado do que o de costume, até mesmo para a mãe da menina, que assistia mais sorridente do que nunca.
Duas semanas se passaram e eles continuaram se encontrando e divertindo apenas com as coisas simples que a cidade podia oferecer. Passeavam pela cidade, assistiam a filmes, tomavam sorvete e, o melhor, continuavam assistindo ao anoitecer da cidade, só que agora não pela janela e sim deitados nos jardins da praça. A mãe da menina, sempre que podia acompanhava os dois, que não se incomodavam, e, por conseqüência, acabou indo junto na segunda vez que eles foram até o poço. Quando chegaram lá, a mãe também se encantou com toda a beleza do lugar e, assim como a menina fez na primeira vez que foi lá, também teve que pular da ponte e até ela criar coragem para isso, metade do dia foi gasto, porém foi um dia tão divertido quanto da outra vez e todos ficaram felizes com o programa daquela tarde.
Até que chega o dia em que as matrículas daquele ano na escola foram abertas e o garoto vai até a casa da menina chamá-la para ir junto. Ela se espanta com o convite e com o assunto escola, mas disfarça e vai junto. Os dois passaram quase que a manhã inteira esperando, pois parecia que todos tinham resolvido ir no mesmo dia, mas o atendimento a eles foi rápido e deu tudo certo, eles se inscreveram na mesma turma pegaram o horário e a lista do material que tinham que comprar. Depois que saíram de lá, foram para a casa da menina, que foi logo falar com a mãe o que eles tinham ido fazer. O menino, que esperava feliz da vida na sala, ouviu um gritinho de susto, que identificou como sendo da mãe, mas não entendeu nada e continuou esperando pela menina, que logo chegou e eles começaram a conversar e fazer planos pro ano letivo que estava por vir. A mãe, que dessa vez não estava necessariamente espiando os dois, apareceu e lembrou a filha de que em dois dias eles iam voltar pro lugar de onde vieram para resolver umas coisinhas e então eles podiam comprar o material lá. Aproveitou e chamou o menino para ir junto passar dois dias lá e conhecer a antiga cidade deles. O garoto obviamente aceitou e disse ter certeza de que a mãe não iria impedir. Estava tudo resolvido, hora, dias e tudo mais. A menina, querendo logo mudar de assunto, perguntou quando que o menino a levaria na tal maior fazenda de lá, sobre que ele tanto falou. Então ele contou que era perto da ponte, um pouco mais adiante, mas ele não ia contar mais nada senão perdia a graça. Depois ele desconversou e disse que não iria levá-la lá por enquanto, pois queria esperar uma ocasião melhor e mais calma, já que agora eles estavam envolvidos com os assuntos da escola e da viagem. A noite chegou e o menino, que foi convidado a jantar lá, foi embora mais tarde do que planejava, porém, como sempre, saiu muito feliz e cantarolante.
Dois dias depois, todos já estavam reunidos e prontos bem cedinho e assim viajaram com bastante calma. Não foi uma viagem extremamente longa nem cansativa, até porque eles foram conversando e cantando o tempo inteiro, não paravam de rir com algumas piadas e quando alguém avistava algo legal pela janela, era motivo pra outra boa conversa. Assim que chegaram à cidade, que mais parecia uma grande capital mundial, com prédios monstruosos e shoppings intermináveis, eles foram almoçar em um desses restaurantes super-chique e cheio de verdadeiras frescuras, segundo um breve comentário, que a menina ouviu aos risos, do garoto, que não sabia nem para que servia metade daqueles copos e talheres.
Depois de muito esforço para entender cada coisa daquele restaurante esquisito, o garoto, a menina e sua mãe foram a um dos monstruosos shoppings fazer as compras da escola. Após um bom tempo andando para lá e para cá fazendo compras, escolhendo cadernos, procurando livros, testando canetas, experimentando mochilas e tudo mais, passaram-se cinco horas, contando as duas vezes que o menino se perdeu. Até que finalmente conseguiram acabar tudo e aí resolveram ir para antiga casa deles descansar até o dia seguinte, quando iriam um pouco à praia e depois embora de volta.
Eles saíram do shopping e pegaram um táxi, que os levou até mais um desses prédios que dão dor no pescoço só de tentar olhar ele todo. Era um prédio bonito e imponente que chamou a atenção do garoto, tamanha era sua grandiosidade. Quando entraram no apartamento, o menino outra vez se assustou, pois estava tudo muito bem mobiliado e ele esperou a primeira vez que ficou sozinho com a menina para perguntar tudo que estava fazendo sua cabeça ficar cada vez mais confusa. Ela, a princípio, congelou com uma cara completamente apavorada, mas logo voltou ao normal e aí o chamou para o quarto, encostou a porta, se sentou na cama e pediu para se explicar. Ela começou dizendo que já há algum tempo temia a hora que isso fosse acontecer e então decidiu contar que na verdade eles não haviam se mudado para lá onde ele morava, eles tinham apenas comprado aquela casa para passar férias. O garoto se levantou irritado querendo sair dali, mas voltou a se sentar quando percebeu que não tinha para onde ir e quando ouviu a menina pedir chorando para ele ter calma e paciência, pois ela ainda tinha mais coisas para contar. Ela então segurou a mão dele e nervosa disse que pai dela era um grande empresário, um dos mais bem sucedidos e conhecidos daquela cidade, por isso então todo aquele luxo e ostentação desde que chegaram, mas que ela não esperava encontrar numa cidadezinha tanta simplicidade, felicidade e calma, coisa que há muito tempo ela não tinha. Ele começou a entender as coisas, então se aproximou dela tentando acalmá-la, mas não sabia o que dizer e ela, ainda aos prantos, voltou a falar. Disse que desde o ano novo vinha pedindo ao pai para que eles se mudassem para lá, mas ele não concordava, pois achava que o melhor lugar para ela era ali e ela disse também que era por isso que não queria se envolver com ninguém lá, pois ia ter que voltar e de certa forma tinha receio de que alguém se aproximasse dela pelo que sua família tinha e antes que pudesse continuar a falar, o menino mais uma vez se levantou furioso, mas mantendo o controle, e disse que entendia o lado dela, mas que ficou muito magoado em só ter ficado sabendo disso tudo agora, que em momento nenhum tinha passado pela cabeça eles serem ricos e que se sentiu traído e ofendido por ela achar que ele podia ser apenas mais um interesseiro. Agora, bem mais calmo, ele disse também que iria acabar só de curtir a viagem, fingindo que nada acontecera, mas que não sabia o que iria fazer quando chegasse à cidade dele de novo. Terminou dizendo que estava realmente decepcionado com tudo, porém ele continuou lá tentando acalmar a menina que não parava de chorar só de imaginar que iria ter que sair de lá e voltar à sua antiga cidade.
No dia seguinte, quando foram à praia, eles mal se falaram, mas entraram juntos no mar. O garoto ficou maravilhado com aquela imensidão toda, depois ficou sentado sozinho na areia enquanto contemplava a paisagem e a menina de longe. O resto da viagem foi um tanto ou quanto incomum, eles conversavam e riam, mas não da forma natural e simples como era antes. Quando eles finalmente chegaram de volta à cidadezinha, não houve grandes despedidas, o menino apenas saiu do carro, deu tchau a todos e foi embora para casa. Porém, dessa vez foi a menina quem não agüentou, soltou tudo no chão e saiu correndo para abraçar o garoto. Ela, de novo se escondendo nos braços dele, pediu desculpa por tudo que tinha feito e ele apenas retribuiu o abraço, mas de forma fria. Então, ela o soltou e, enquanto chorava, abriu um sorriso para ele, que se virou e continuou andando até sua casa.
O garoto foi para casa e mais uma vez não tinha vontade nenhuma de ficar andando pela cidade. Ficando assim em casa por um bom tempo, então ele aproveitou para pensar no que acontecera e foi chegando as suas conclusões e entendendo o porque das coisas estranhas que aconteciam. No terceiro dia, ele é acordado pela mãe, que lhe entrega uma carta. Ele começa a ler e logo percebe que era da menina e fica feliz ao ler que ela também estava chateada pelo o que vinha acontecendo e que ela queria que fosse apenas uma aventura de férias tudo que eles tinham vivido naquela cidade. O menino quase chorou quando, no fim da carta, leu que ela considerava aquela cidade, assim como ele, especial e com tantos encantos que, mesmo depois que ela fosse embora, ninguém poderia tirar dela as boas lembranças e recordações. Afinal, pensamentos ninguém pode roubar e algumas cenas ficaram registradas para sempre em poucas fotos. Ela terminou a carta dizendo que iria embora um dia depois da tal festinha de carnaval, realizada na cidade, e que esperava encontrar com ele pelo menos mais uma vez.
O garoto após terminar de ler a carta, se deitou novamente e ficou pensando por horas. Estava feliz por ter recebido a carta e por saber que era considerado especial por ela. No entanto, ficou um tanto ou quanto decepcionado por não ter lido em momento nenhum algo sobre os sentimentos dela por ele, o que o levou a acreditar que tudo até ali tinha sido só uma grande ilusão, e de também não ter lido nada sobre ela ficar na cidade ou qualquer outra coisa que o animasse um pouquinho de novo.
Janeiro teve um fim marcado pela volta de grande parte dos amigos do menino, que agora saía com eles para tentar se divertir e esquecer o que ele classificou como ilusão. Os garotos perguntavam o que ele ficou fazendo durante aquele tempo todo sozinho e ele desconversava dizendo que não tinha feito nada, só aproveitado as tradicionais festinhas de fim de ano. Às vezes, quando eles vagavam pela pracinha, conversando e brincando, passavam pela menina, que ficava olhando fixamente apenas para ele. Os amigos que percebiam, é claro, faziam a maior farra, chamavam-no de grande conquistador e brincavam com ele, que fingia que nem a conhecia, pois ainda estava magoado e não sabia como lidar com aquela situação toda.
Fevereiro não teve um início muito diferente, até que chegaram os três dias de festa do carnaval, dos quais os dois primeiros dias foram reservados para os bailes à fantasia, onde todos fantasiados ficavam pela pracinha dançando e se divertindo, e o terceiro dia, que foi o único em que o garoto saiu com os amigos, estava reservado para um grande bloco de carnaval, tocando as tradicionais marchinhas. Durante a festa, o menino e seus amigos encontraram mais uma vez a menina, que, também mais uma vez, ficou esperando alguma reação do menino enquanto olhava para ele. Depois de muito insistirem, os amigos convenceram o garoto a ir falar com a menina e ele foi muito mais por também, de certa forma, querer estar com ela mais uma vez, do que pela insistência deles, que nem imaginavam que eles já se conheciam.
Quando ele enfim foi falar com ela de novo, pediu, ainda de longe, para que, antes, eles fossem para um outro lugar mais calmo. Assim que se afastaram daquela agitação toda e quando já não estavam mais sendo observados pelos amigos curiosos, que estavam espiando de longe tudo que acontecia, ela pulou nos braços dele, o abraçou o mais forte que pôde e começou a falar desesperadamente tantas coisas que ele não entendeu quase nada e a interrompeu, pedindo para que tivesse calma e falasse devagar. Ela então começou dizendo que já estava com medo de ir embora sem ter antes falado com ele mais uma vez e disse que iria sentir muita falta dele e daquela cidade, que não queria acordar no dia seguinte para não ter que ir embora e pediu para que ele passasse o último dia dela na cidade fazendo-lhe companhia. Ele, que não resistiu ao encanto dela, aceitou, é claro, e abrindo um enorme sorriso a abraçou também e depois eles se encaminharam para festa. A noite passou tranqüila, eles dançaram, se divertiram e pularam, tudo sozinhos, felizes e rindo, como era de costume umas semanas antes. Na hora de ir embora, ele a levou em casa uma última vez e chegando lá, tentou optar por uma despedida rápida, pois não queria ficar muito tempo ali sofrendo com a partida dela. Então ele apenas disse que iria aguardar ansioso pelas próximas férias, quando ela provavelmente retornaria, e deu um abraço rápido na menina, que o impediu de se soltar insistindo no abraço e dizendo que não queria sair dali tão cedo. Eles continuaram abraçados por um bom tempo ainda e quando, enfim, foram se despedir, ele secou as lágrimas dela e deu um beijo delicado na testa da menina, como quem deseja muito bem a alguém. Ela sorriu para ele, que se arrependeu, durante muito, tempo por ter se virado e continuado a se encaminhar para casa, em vez de olhar aqueles olhos, que tanto brilhavam, mais uma vez.
As semanas foram se passando tranqüilas, as aulas começaram e, de certa forma, o garoto já tinha conseguido guardar toda aquela história que vivera há poucas semanas, em algum lugar que não o fazia ficar pensativo e perdido com aquilo tudo o tempo todo. O mês de março avança, até que chega o dia 19, quando o menino recebe um envelope escrito bem grande: “Um verão”. Ele, desconfiado do que podia ser, abre e começa ler a carta e quando percebe que era uma nova carta da menina, que contava a história deles, se deixa derramar algumas lágrimas. Ele vai lendo tudo aquilo muito emocionado e até se arrepiando em alguns momentos, mas começa realmente a chorar muito ao ler no fim da carta duas surpresas que a menina lhe preparou. Primeiro, que o dia seguinte, dia 20, era aniversário dela e ela ia comemorar lá com uma grande festa e então ela aproveitou para pedir a ele que avisasse a todos. E segundo é, que depois de muita insistência, o presente de aniversário que o pai lhe deu foi ter concordado com sua mudança para lá. Nessa parte, a menina contou que toda vez que o pai lhe perguntava o que queria de aniversário, ela respondia que só queria era voltar para cidadezinha e se mudar para lá, nem que fosse sozinha. Após tanta insistência, ele acabou aceitando, decidindo porém que só ela e a mãe iriam voltar. O pai continuaria na cidade grande, pois tinha os seus compromissos, e todo fim de semana ele iria para lá também.
O garoto se recupera do choro e da surpresa toda que acabara de ler na carta, ajeitou-se rapidamente e saiu correndo feito um louco pela pracinha numa explosão de alegria que nunca tinha tido antes. Alguns desconfiados e espantados até pararam para vê-lo pulando para lá e para cá. Passada um pouquinho a euforia, o menino até aproveitou que tinha bastante gente em volta, para anunciar a festa do dia seguinte, que foi bem recebida por aquele povo festeiro, e depois saiu batendo de porta em porta avisando a todos os outros moradores. No fim do dia, depois de tanto correr de um lado para o outro avisando a todos, ajeitando coisas e até arrumando o palco para o dia seguinte, ele foi para casa exausto descansar um pouco, se deitou na cama e ainda eufórico com tudo, leu a carta mais uma vez e depois caiu, direto num sono profundo.
Já era a hora do almoço quando ele finalmente acordou no dia seguinte, meio cansado ainda. Foi comer e depois se arrumou impecavelmente para receber a menina, de volta à cidade. Ele queria ser o primeiro a falar com ela. Então, quando já era de tardinha, saiu de casa e se dirigiu até a casa da menina para esperar ela chegar. Quando ia se aproximando, percebeu que já havia bastante gente lá e que todos a cercavam, dando os parabéns e felicidades pela volta dela e da mãe à cidade. Ele tentou se aproximar, mas só conseguiu falar com ela quando a confusão na porta da casa se dispersou. Ele deu os parabéns e disse que estava muito feliz pela sua volta, que mal podia esperar para começar a passar tardes inteiras com ela de novo, mas ela nem pôde dar muita atenção a ele, pois estava atolada de coisas para fazer e resolver do seu grandioso aniversário.
O menino não conseguiu falar muito com ela e aquilo o entristeceu. Ele ficou achando que era tudo uma grande ilusão, que ela tinha voltado só para fugir das coisas na cidade grande e não por causa dele e da história que tinham vivido no início do verão. Ele sabia que aquele era um pensamento egoísta de sua parte, porém, quando leu a carta, a impressão que tinha ficado, era de que ela estava de volta não só por causa da tranqüilidade da cidadezinha mas também por ele, e agora ele achava que era de novo só mais uma grande decepção. A alegria toda que ele tinha há algumas horas antes sumiu. Ele estava simplesmente dominado por um sentimento de extrema solidão e se achando enganado. Sentia-se um verdadeiro bobão por ter pensado e acreditado que aquela história ia mudar. Ficou sentado em um banco da pracinha, observando de longe toda a alegria e festa que os moradores faziam.
O menino só se levantou na hora do maior parabéns que aquela cidade já viu. Porém ficou de longe também, pois não conseguiu chegar mais perto. Dali via um enorme bolo, a mãe e, ao lado, a menina cantando e sorridente. Depois que acabou e começaram a dividir o bolo, ele saiu correndo, não agüentava mais de tristeza e não queria mais ficar por perto. Então, foi pro único lugar onde imaginou que nunca seria achado: a grande fazenda.
Correu tudo que podia e quando chegou lá, se enfiou pelas plantações até que chegou no pequeno monte, um lugar um pouco elevado e com uma única árvore gigantesca, de onde dava para ver a imensa fazenda com suas mais variadas plantações e sua extensa criação de gado. Passaram umas duas horas, e lá de cima ele avistou alguém entrando na fazenda pelo portão e logo imaginou que seria o dono daquela terra e nem se preocupou, pois o conhecia muito bem. Porém, se passaram alguns minutinhos e, mesmo no escuro, ele conseguiu ver que era a menina quem se aproximava já subindo o monte e enquanto ele fingia nem ter visto nada, ela corria e pulava nos braços dele dizendo que a festa não havia acabado ainda, mas que não agüentava mais ficar lá, pois queria mesmo é encontrar logo ele. Disse também, que nem ela esperava que fosse ficar tão ocupada assim e que na verdade ela só tinha pedido aquela festa toda, para tentar distrair todos da cidade enquanto ficava com ele em algum lugar mais calmo, só que o plano dela falhou. Então contou que procurou por ele em todos os cantos para entregar o primeiro pedaço de bolo, mas depois imaginou que ele só poderia ter fugido, pois ela nem pôde atendê-lo direito durante a tarde, e foi esse o primeiro momento que ela conseguiu ter para fugir, e aí foi atrás do único lugar onde ela imaginou que ele poderia ter ido e contou que só conseguiu chegar lá graças a ajuda que os amigos dele deram mostrando e apontando aonde era. Ela tentou continuar contando e falando um monte de coisas, se atropelando cada vez mais nas palavras, mas ele a impediu abrindo um enorme sorriso.
Eles então se abraçaram longamente mais uma vez, depois ela se deitou no peito dele e ficou encantada com mais aquele lugar maravilhoso. Eles olhavam o céu cheio de estrelas e com uma linda lua, que iluminavam a fazenda. Os dois continuaram em silêncio e encostados na árvore por muito tempo ainda. As horas passaram muito devagar, pois aquele momento todo era mágico, único, e depois, quando o dia já estava amanhecendo da forma mais bonita que qualquer pessoa pode imaginar, ela se vira para ele e com todo amor que tinha guardado desde o primeiro dia naquela cidade, diz:
- O dia está amanhecendo. Isso significa que o nosso verão já acabou e eu queria ele durasse para sempre porque...
- Pára! Pára! - Diz ele interrompendo a menina - Não podia haver hora e lugar melhor para ouvir você dizer isso. Já esperava ouvir essas coisas há muito tempo e você não faz idéia do tamanho da alegria que tá explodindo aqui dentro de mim. Não vou te pedir outro abraço ou um beijo... Não vou pedir nem fazer nada. Só quero te olhar e dizer que mesmo que isso aqui não seja para sempre, mesmo que você um dia volte pro seu lugar... Mesmo que qualquer coisa aconteça, esse verão, essa história, esse amor e tudo que a gente ainda vai viver junto, vão ser inesquecíveis para mim. Vou levar eternamente comigo cada dia que passamos juntos, cada vírgula desse conto maravilhoso que você me fez viver e cada detalhe seu que me encanta e me faz entender que amor é muito mais do que qualquer coisa e é muito mais do que qualquer palavra que eu possa dizer agora. Mas é só o que eu sinto por você.
Por? Eu mesmo